Uma foto de lente olho de peixe do STEVE que apareceu no norte do Canadá (Crédito da imagem: Alan Dyer/AmazingSky.com)

Por Daniele Cavalcante – Editado por Rafael Rigues

Entre a noite de domingo e manhã de segunda-feira (7 e 8 de agosto), uma tempestade solar de intensidade moderada atingiu a Terra sem nenhum aviso. Além de formar auroras boreais no hemisfério norte, o choque de partículas do Sol com a atmosfera terrestre fez surgir o fenômeno misterioso conhecido como STEVE.

STEVE (Strong Thermal Emission Velocity Enhancement, ou “aumento de velocidade de forte emissão térmica”, em tradução livre) aparece como uma linha de gás quente que corta o céu por centenas de quilômetros. O ar quente nessa linha pode atingir mais de 3.000 graus Celsius e se mover cerca de 500 vezes mais rápido que o ar ao redor.

Embora se pareça um pouco com as auroras, o STEVE é um fenômeno completamente diferente, e ainda não totalmente explicado pela ciência. As auroras ocorrem quando partículas solares carregadas colidem com moléculas na atmosfera superior da Terra, mas os STEVEs aparecem muito mais baixo no céu, em uma região chamada zona sub-auroral.

Isso provavelmente significa que as partículas solares não são diretamente responsáveis ​​​​por STEVEs, de acordo com estudos recentes. No entanto, eles quase sempre aparecem durante tempestades solares, depois que as auroras já começaram a desaparecer.

Imagens incríveis de um STEVE

O fotógrafo e escritor de astronomia Alan Dyer conseguiu fotografar o STEVE que apareceu após a aurora boreal formada neste fim de semana. Além de espetaculares, as imagens ajudam os cientistas a estudar esse fenômeno.

Na verdade, a pesquisa sobre STEVEs é feita em colaboração estreita entre os cientistas profissionais e cientistas cidadãos, como Dyer, que têm a oportunidade de observar o evento enquanto fazem fotos das auroras boreais. Os STEVEs sempre ocorrem de maneira inesperada, então essa colaboração é a melhor maneira de estudá-los.

Uma foto de lente olho de peixe do STEVE que apareceu no norte do Canadá (Crédito da imagem: Alan Dyer/AmazingSky.com)

As fotos de Dyer já foram usadas para determinar a altitude dos STEVEs, que parece ser de 250 a 300 km, acima dos principais componentes de uma aurora boreal. Dessa vez, o fotógrafo registrou tanto a aurora quanto o STEVE, e ainda conseguiu capturar alguns meteoros Perseidas riscando o céu noturno.

Dyer também compartilhou um vídeo com sequências em timelapse do STEVE, que durou cerca de 40 minutos.

Tempestade solar surpresa

A tempestade geomagnética foi classificada como tipo G2 pelo Space Weather Prediction Center da National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA). Ela não estava prevista e atingiu velocidades de até 600 km/s. A classificação das tempestades solares tem escala de cinco níveis, sendo o G5 o mais alto.

O Sol está aumentando sua atividade à medida que avançamos para o pico em seu ciclo de aproximadamente 11 anos. Até meados da década, devemos ver mais manchas solares e tempestades de partículas emitidas em direção à Terra. Embora não seja possível prever com exatidão a intensidade dessas emissões nos próximos anos, ainda não há motivos para preocupação. O último evento com consequências preocupantes — o Evento Carrington — ocorreu em 1859.

FONTE: The Amazing Sky, LiveScience via Canaltech